A história de Alagoinhas também foi escrita no campo. Em uma propriedade onde laranjais dividem espaço com a produção artesanal de charutos premium, a Fazenda Feanbe mantém vivas duas atividades que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento econômico do município ao longo das décadas. Integrando as comemorações pelo aniversário da cidade, celebrado em 2 de julho, a Câmara Municipal apresenta a fazenda como exemplo de um patrimônio agrícola que continua gerando emprego, renda e oportunidades.
Com cerca de 280 hectares destinados ao cultivo de laranja da variedade Pera Rio, a Feanbe mantém uma produção contínua ao longo do ano. O diferencial está no manejo adotado nos pomares, onde uma mesma árvore reúne flores, frutos em desenvolvimento e laranjas prontas para a colheita, garantindo maior estabilidade na produção e reduzindo os efeitos da sazonalidade.
Responsável por apresentar a propriedade, o colaborador Adenor Melo explicou que esse ciclo é resultado de um planejamento permanente. "É possível encontrar uma fruta praticamente pronta para a colheita, outra ainda em desenvolvimento e uma nova florada surgindo. Mantemos esse ciclo para reduzir os efeitos da sazonalidade e produzir durante todo o ano", afirmou.
Atualmente, a fazenda emprega 96 trabalhadores e abastece tanto o mercado de frutas frescas quanto a indústria de processamento. Segundo Adenor, toda a produção é aproveitada. "A laranja destinada ao mercado é enviada para diversos estados do Brasil. Já a fruta que não apresenta o padrão estético exigido é destinada à indústria", explicou.
Se a citricultura representa um dos pilares da economia rural de Alagoinhas, o tabaco também ocupa lugar de destaque na história do município. Na própria Fazenda Feanbe funciona a Jamm Cigar, fábrica especializada na produção artesanal de charutos premium que resgata uma tradição centenária da região.
À frente da produção, César Costa apresentou cada etapa do processo, que começa ainda na sementeira e segue por um longo período de secagem, fermentação, maturação e fabricação. Segundo ele, o tempo é um dos principais ingredientes para alcançar a qualidade exigida pelo mercado.
"Se o processo não respeitar o tempo necessário, todo o trabalho pode ser comprometido. É preciso ter paciência e permitir que cada etapa aconteça no momento certo", destacou.
Após anos de fermentação natural, as folhas passam pela seleção, composição dos blends, prensagem, aplicação da capa e por um novo período de descanso até atingirem as condições ideais para consumo. Atualmente, a fábrica produz 17 diferentes bitolas, preservando um processo essencialmente artesanal.
Para César Costa, cada fase interfere diretamente no resultado final. "Cada etapa influencia diretamente o resultado final. O blend, a fermentação, a umidade e o tempo de descanso são fatores que garantem a identidade e a qualidade do charuto", afirmou.
Ao reunir tradição e inovação em uma mesma propriedade, a Fazenda Feanbe demonstra que atividades responsáveis por moldar a identidade econômica de Alagoinhas continuam presentes no cotidiano do município. A produção de laranja e de tabaco mantém viva uma herança construída ao longo de gerações, fortalecendo o setor agrícola e preservando parte importante da história local.
Foto: Jhô Paz