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Em carta aos evangélicos, Lula defende a família, o fim das bets e a extinção da escala 6×1
Presidente destaca combate às apostas, mais tempo para as famílias e respeito à liberdade religiosa em mensagem ao eleitorado evangélico
13/10/2026 23h26
Por: Redação Fonte: Brasil247
Crédito: REUTERS/Carla Carniel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preparou uma carta dirigida às famílias evangélicas brasileiras na qual associa a defesa dos valores familiares a propostas de seu governo, como o combate às apostas online e o fim da escala de trabalho 6×1. No documento, que será divulgado nesta quarta-feira (14), Lula também reafirma seu respeito à liberdade religiosa, destaca medidas de proteção às mulheres e crianças e pede aos fiéis que reflitam sobre suas escolhas nas eleições de 2026.

Segundo a coluna da jornalista Bela Megale, no jornal O Globo, que teve acesso exclusivo à íntegra da carta, o presidente procura estabelecer um diálogo direto com os evangélicos, colocando a família no centro de sua mensagem política. O texto também aborda segurança pública, melhoria da renda, saúde e preservação ambiental.

Logo na abertura, Lula recorre à linguagem religiosa para explicar sua iniciativa. “Resolvi escrever a vocês com o coração aberto, cheio de verdade, pois os cristãos com quem tenho dialogado estão me ensinando que a Bíblia nos orienta a ‘seguir a verdade em amor.’”

O presidente reconhece que não pertence à comunidade evangélica, mas enfatiza o respeito às diferentes manifestações de fé e identifica na proteção das famílias um objetivo compartilhado.

“Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras, pois somente lares fortes podem produzir uma nação forte!”.

Combate às bets e fim da escala 6×1

Um dos principais pontos da carta é a associação entre as condições de vida dos trabalhadores e a preservação dos vínculos familiares. Lula apresenta o enfrentamento às apostas online como uma medida de proteção aos lares brasileiros e defende a ampliação do descanso semanal.

“Dentre as várias ações do meu governo que abençoam suas famílias, relembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as Bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho.”

A mensagem coloca o fim da escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, como parte de uma agenda voltada à melhoria da qualidade de vida. O presidente sustenta que a redução da jornada deve permitir maior convivência entre pais, filhos e demais integrantes das famílias.

Lula também relaciona a proposta à prática religiosa, ao argumentar que mais tempo livre pode favorecer a participação dos trabalhadores nas atividades de suas comunidades de fé.

“As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração.”

Ao destacar essas duas pautas, o presidente procura apresentar iniciativas econômicas e trabalhistas como instrumentos de proteção familiar, aproximando propostas de seu governo de preocupações presentes no cotidiano das comunidades evangélicas.

Lula destaca sua trajetória familiar e faz referência à fé

A carta também recupera a infância do presidente e sua experiência ao lado da mãe, Dona Lindu, como elementos centrais de sua formação pessoal e política.

Lula afirma que aprendeu dentro de casa a importância do trabalho e da solidariedade, em meio às dificuldades enfrentadas por sua família. Ele estabelece uma relação entre essa trajetória e a realidade de brasileiros que dependem do próprio esforço para sustentar seus lares.

“Aprendi dentro de casa o valor do trabalho, resistindo bravamente com minha mãe, Dona Lindu, para criar uma família com sete irmãos. Com essa base familiar sólida, aprendi a amar e a lutar para transformar a realidade.”

O presidente também atribui à proteção divina um papel importante em sua trajetória, mencionando as dificuldades enfrentadas ao longo da vida pública.

“Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei.”

Na mensagem, Lula lembra que chegou à Presidência da República em três ocasiões e afirma que agora disputa um quarto mandato. Ao tratar de sua experiência política, contrapõe o histórico de ações de seu governo ao que classifica como discursos sem resultados concretos.

Segurança pública, proteção às mulheres e liberdade religiosa

Outro eixo da carta é a defesa de políticas de segurança pública e de proteção aos grupos mais vulneráveis. Lula afirma que pretende intensificar o enfrentamento ao crime organizado e à violência, com atenção especial às mulheres, crianças e adolescentes.

“Sigo também empenhado em proteger as mulheres, combater todos os tipos de violência e o crime organizado com inteligência: prender os bandidos, proteger as nossas crianças e adolescentes e poupar as vidas inocentes.”

O presidente ainda rejeita a associação de seu governo a medidas que ameacem a liberdade religiosa ou o funcionamento dos templos.

“Jamais poderão nos acusar de estarmos comprometidos com políticas que destroem vidas, que fecham templos ou que não demonstrem respeito, como Jesus nos ensinou, que devemos amar a todas as pessoas.”

A referência ao funcionamento das igrejas aparece em uma mensagem que busca reafirmar o compromisso do presidente com o respeito às diferentes crenças e com a proteção da vida.

Carta será divulgada por movimento de evangélicos

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento que apoia a reeleição de Lula, será a principal responsável pela divulgação do documento.

À coluna de Bela Megale, Nilza Valeria Zacarias, coordenadora da organização e integrante da Igreja Batista, explicou que a proposta de uma mensagem dirigida especificamente às famílias partiu da própria Frente.

“A Frente é a porta-voz da carta e sugeriu que o presidente falasse para as famílias evangélicas, porque a família é a base de tudo, inclusive das políticas públicas”, afirmou.

A participação do movimento evidencia a tentativa de ampliar o diálogo entre o presidente e segmentos religiosos que integram o eleitorado brasileiro.

Presidente pede discernimento aos evangélicos nas eleições

Na parte final da mensagem, Lula reconhece que ainda existem problemas a enfrentar e apresenta compromissos relacionados à saúde pública, à recuperação do poder de compra, à segurança e à preservação ambiental.

“Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade.”

O presidente também relaciona a proteção ambiental à fé cristã, ao mencionar a necessidade de preservar a natureza criada por Deus.

Ao encerrar o documento, Lula faz um apelo diretamente ligado à disputa eleitoral. Ele pede que os evangélicos recorram à oração e ao discernimento antes de decidir seus votos.

“Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição.”

A carta termina com um pedido de apoio espiritual e uma referência à expectativa de vitória eleitoral.

“Com gratidão por sua atenção e generosa leitura, conto com suas orações e sigo olhando firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos.”

Leia a íntegra da carta:

“Carta de Luiz Inácio Lula da Silva para as Famílias Evangélicas Brasileiras

Queridas famílias evangélicas do Brasil,

Resolvi escrever a vocês com o coração aberto, cheio de verdade, pois os cristãos com quem tenho dialogado estão me ensinando que a Bíblia nos orienta a “seguir a verdade em amor.” Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras, pois somente lares fortes podem produzir uma nação forte!

Aprendi dentro de casa o valor do trabalho, resistindo bravamente com minha mãe, Dona Lindu, para criar uma família com sete irmãos. Com essa base familiar sólida, aprendi a amar e a lutar para transformar a realidade. É nesse chão que a minha história se encontra com a história de vida e de fé da sua família. Entrei para a política com esse compromisso em meu coração: ajudar a mudar as condições de vida das famílias pobres e batalhadoras.

Numa longa e difícil jornada, me tornei Presidente do Brasil por três vezes. Agora, disputo o quarto mandato. Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei. Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos.

Dentre as várias ações do meu governo que abençoam suas famílias, relembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as Bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho.

As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração. Sigo também empenhado em proteger as mulheres, combater todos os tipos de violência e o crime organizado com inteligência: prender os bandidos, proteger as nossas crianças e adolescentes e poupar as vidas inocentes.

Jamais poderão nos acusar de estarmos comprometidos com políticas que destroem vidas, que fecham templos ou que não demonstrem respeito, como Jesus nos ensinou, que devemos amar a todas as pessoas. Precisamos avançar mais, precisamos amar mais! Até aqui, ajudei a arrumar a nossa casa, o Brasil. Mas sei que ainda há muito a ser feito. Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade. Estou comprometido com a melhoria da saúde pública, para que sua família fique bem cuidada; com o aumento real da renda, com poder de compra; e com a preservação da natureza criada por Deus. O Brasil é nosso! Eu vou escutar e atender aos anseios de vocês.

Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil.

Com gratidão por sua atenção e generosa leitura, conto com suas orações e sigo olhando firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos.

ÀS FAMÍLIAS EVANGÉLICAS BRASILEIRAS
“Precisamos avançar mais!””

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